Federico García Lorca, o poeta fuzilado
Federico García Lorca é considerado um dos poetas espanhóis mais brilhantes do século XX. A sua obra obteve um grande reconhecimento ainda na sua época. No entanto, o eclodir da Guerra Civil Espanhola, em 1936 e, aparentemente, uma vingança de família viriam a pôr fim à vida do poeta, que morreu fuzilado (com efeito, investigações realizadas em 2006 parecem indicar que as famílias Roldán e Alba estiveram envolvidas na morte de García Lorca, devido a uma antiga disputa com o pai do poeta sobre a divisão de umas terras compradas a meias). Após uma estadia em Buenos Aires, Lorca regressou a Espanha em 1934, onde a situação política começava a ser insustentável e se respirava um clima pré-bélico que pronunciava o eclodir da iminente guerra civil. Embora o mundo inteiro admirasse Lorca como “o Homero espanhol”, as críticas contra ele recrudesciam no contexto da tensão anterior ao conflito e, embora tenha resistido à pressão dos seus amigos para se filiar no Partido Comunista, Lorca seria criticado pela sua amizade com personalidades assumidamente socialistas, como a atriz Margarita Xirgu. A popularidade de García Lorca e as suas diversas declarações contra a injustiça social transformaram-no num personagem incómoda. Por conseguinte, apesar do perigo do contexto e depois de rejeitar a protecção que lhe fora oferecida pelo México e pela Colômbia, Lorca preferiu regressar à sua Granada natal com a família, pois a situação em Madrid era já bastante complicada. Chegou a considerar a possibilidade de procurar refúgio junto do Partido Republicano ou em casa de um amigo, o músico Manuel de Falla. Por fim, o poeta decidiu refugiar-se em casa dos pais do seu amigo Luis Rosales, onde, no dia 16 de Agosto de 1936, foi detido por Ramón Ruiz Alonso, um ex-deputado da CEDA (Confederação Espanhola de Direitas Autónomas). O poeta foi levado para a localidade de Víznar e, dois dias depois, na madrugada de 18 de Agosto de 1936, foi fuzilado no barranco de Víznar, a poucos quilómetros da capital granadina, num sítio conhecido como “estrada da morte”. O seu corpo, jamais recuperado, descansa numa vala comum anónima, possivelmente perto do local onde foi assassinado.
(Em cima, a última fotografia conhecida de Federico García Lorca com Manuela Arniches, no terraço do café Chiki Kutz, no Paseo de Recoletos, 29, em Madrid, em Julho de 1936)

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