quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Assassinatos que Mudaram o Rumo da História

O assassinato do cantautor chileno Víctor Jara

O músico Víctor Jara foi um firme defensor da Unidade Popular, uma coligação política chilena de esquerda. E fê-lo da forma que melhor sabia: tocando guitarra. Com efeito, Víctor Jara transformou-se numa referência internacional da canção de protesto, embora nunca se tenha identificado minimamente com essa definição. "Te recuerdo Amanda", "El derecho a vivir en paz" ou "Deja la vida volar" são apenas algumas das suas composições mais famosas, obras simples e imperecíveis, que a passagem do tempo acabou por consolidar. Um dia depois do golpe de estado perpetrado pelo general Augusto Pinochet, 12 de Setembro de 1973, Jara foi detido na Universidade Técnica do Estado (UTE) e trasladado para o Estádio Chile, que fora convertido num campo de detenção improvisado. Ali, foi identificado por um oficial que, sem pronunciar uma palavra, começou a dar-lhe pontapés no meio de uma torrente de insultos. Na noite de 15 de Setembro, Víctor Jara foi arrastado até às caves do estádio, onde foi brutalmente espancado. Alguns testemunhos asseguram que chegaram a amputar-lhe os dedos das mãos (algo que foi desmentido pelo historiador Mario Amorós no seu livro La vida es eterna) e que, antes de ser crivado de balas (foram encontrados 44 projécteis no seu corpo), jogaram com o cantautor à roleta russa. O corpo de Víctor Jara foi descoberto três dias após o seu assassinato por umas habitantes da povoação de Santa Olga, junto ao Cemitério Metropolitano. As mulheres reportaram rapidamente a macabra descoberta. O corpo sem vida do músico foi trasladado para a morgue, onde um trabalhador o reconheceu e conseguiu avisar a sua esposa, a bailarina e ativista política britânica Joan Turner, para que pudesse enterrá-lo com dignidade.

(Na fotografia, o cantautor chileno Víctor Jara durante uma atuação em Helsínquia, em 1969, numa manifestação contra a guerra do Vietname)

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